FIG 2009: Minhas impressões

Entre os dias 16 e 19 desse mês, tive a oportunidade de viajar à Garanhuns para curtir a 19ª edição do Festival de Inverno. Pretendia comentar sobre a viagem no Twitter, mas são tantas impressões que não caberiam nem mesmo em várias tuitadas de 140 caracteres. E, de repente, esse post pode até servir como fonte de informação para quem estiver planejando viajar para lá. Afinal, a programação segue até o dia 25 de julho.

Bem, a distância entre João Pessoa e Garanhuns é de 330km. Eu, meu digníssimo noivo e mais três amigos cometemos o erro de sair de João Pessoa às 16h00 da quinta, o que nos fez passar pela perigosa estrada de Caruaru durante a noite. De todo modo, chegamos a salvo na casa onde ficamos hospedados depois de pouco mais de quatro horas de viagem e só tivemos tempo de nos arrumar e seguir já para assistir os shows.

Os shows
Como não sou a maior fã de MPB (e o noivo menos ainda), aproveitei a maioria das apresentações assistindo de longe, conversando e observando o tráfego do pessoal que, a cada dia, lotava mais a Esplanada Guadalajara. Mas, de acordo com a própria Maria Rita, o show dela foi inesquecível. Lenine, na minha opinião, ofereceu o que já se esperava em termos de musicalidade e performance. Já Fernanda Abreu surpreendeu meus amigos com seu funk, samba rock e constante animação. Finalmente Rita Lee, no sábado, extasiou a extensa platéia que se abarrotava cantando, de cor, Ovelha Negra e Mania de Você.

Em termos de segurança, o evento está de parabéns. Bem policiado, conseguimos levar celular, câmera e fotografar tanto os shows quanto os pontos turísticos sem maiores complicações. Mas, como nada é perfeito, apesar da presença do Corpo de Bombeiros para maiores emergências, sentimos falta de um posto de saúde instalado nas imediações do Festival.

Gastronomia
Durante o FIG, em praticamente todos os pontos turísticos da cidade e pólos de atrações se vende chocolate quente. Crepes, pastéis, bolinhos e espetinhos completam o cardápio mais em conta. Já na área dos shows, vinhos e fondues para os paladares mais requintados e bolsos mais gordos.

Por indicação de várias pessoas (inclusive uma do CouchSurfing), resolvemos almoçar em um restaurante tradicional chamado O Chalé, com boa comida self-service e preços relativamente baixos. Para lanchar, conhecemos por acaso o Burgueria, cujo nome diz a que veio, e uma padaria 24h já preparada para receber o pessoal que volta do Festival de madrugada. E, por incrível que pareça, não tenho o que reclamar, nem mesmo do atendimento, que foi bastante tranquilo.

O clima

Garanhuns é uma cidade alta e fria. Os sites indicam uma mínima de 15°, mas para alguém como eu, que bate o queixo aos 23° em João Pessoa, a sensação é de estar, praticamente, na neve. Dá até para sair aquele ventinho quando a gente fala! Mas, matutices a parte, o friozinho é gostoso quando se está na cama, enrolada em edredons, abraçada a alguém ou, pelo menos, a um bichinho de pelúcia. Mas a céu aberto, em meio à névoa visível, nem as luvas e cachecóis me impediram de desejar vestir uma burca de lã.

A sexta-feira foi o dia mais "carregado" da nossa estadia, mas infelizmente eu quase não tive acesso à internet para ver que temperatura estava fazendo naquele Niffleheim. Na volta, ao passar por Recife, juro como agradeci pelo sol a pino e por poder voltar a usar Havaianas.

A moda
Mesmo assim, verdade seja dita, em Garanhuns boa parte do meu lado frívolo se manifestou e uma das coisas que mais me prendeu a atenção foi justamente o quão elegantes as pessoas ficam vestidas em roupas de frio. Via-se botas, luvas, meias grossas, cachecóis, casacos e até sobretudos! Fora um par ou outro de tiros gritantes e descontando a minha avaliação nada profissional, acho que a maioria esmagadora das pessoas estava bem vestida de saltar aos olhos. Sem contar que o tempo frio, por si só, passa aquela impressão de educação e sutileza capaz de agradar até mesmo uma boa ogra como eu.

Mas, como bons brasileiros, as baixas temperaturas não parecem deixar o povo mais frio, como se diz da Europa, por exemplo. Pelo contrário, em meio aos shows, vi vários casais se incendiando aos beijos e incentivando meu voyerismo de línguas e muita gente abraçada, tentando gerar calor ou, pelo menos, roubar o quentinho do bolso do casaco alheio.

E como já era de se esperar, os "nativos" de Garanhuns não sentem tanto frio quanto os turistas. Era comum ver algumas meninas passeando de tomara-que-caia enquanto eu e minhas amigas dobrávamos de tamanho sobrepondo três blusas. E, mesmo entre os turistas, a sensação de frio é uma coisa curiosa. Enquanto uns (como eu) não aguentavam sair na esquina sem meio quilo de tecido ao redor do pescoço, outros se contentavam com uma simples jaquetinha jeans.

O melhor é que, salvo raras excessões, ninguém olha como se você fosse de outro planeta só porque sua pele se arrepia mais do que a do vizinho.

Economia
Durante o FIG, parece que toda a cidade dá um jeitinho de tirar o seu salário extra. A economia realmente se movimenta durante o Festival, a custa do turismo.

Para evitar as filas dos banheiros químicos nada higiênicos, precisamos pagar R$ 0,50 para usar o de uma sorveteria. Os estacionamentos privados abusam dos preços, embora as vagas nas avenidas sejam satisfatórias e, certamente, mais baratas. É interessante destacar também que a maioria das mesas próximas ao show custam em média R$ 20,00, fora consumação. E eu cheguei a comprar um daqueles chicletes Fliks por R$ 2,00, quando no ponto do ônibus de Jampa me vendem a R$ 0,50.

Pontos turísticos
Garanhuns não é uma cidade tão pequena como alguns interiores da Paraíba que eu estava acostumada, mas também não é grande. Então, nem dá para gastar muito combustível conhecendo os pontos turísticos da cidade. Infelizmente foi tempo que nos faltou para olhar tudo, mas visitamos:

O Relógio das Flores
Pouco depois da entrada da cidade, o Relógio das Flores é basicamente um pequeno monumento situado numa praça bastante arborizada. O suficiente para parar, fotografar e sair. Durante o evento, enfrentamos até uma pequena fila para tirar fotos lá. É bonito, o clima da praça é legal, mas confesso que esperava mais.

O Cristo do Magano
O Cristo do Magano é um monumento em forma de cruz em cima do que me parece ser uma serra (não entendo muito de geografia, perdão). O monumento em si não é nada brilhante, mas a paisagem que se vê lá de cima é muito bonita e toda a estrutura, interessante e convidativa a fotos. No caminho, destaque para o amontoado de crianças da periferia pedindo trocados e correndo atrás dos carros (algo meio Slumdog Millionaire versão Nordeste).

Parque Euclides Dourado
Conhecido também como Parque dos Eucaliptos, um lugar que vale a pena ser visitado principalmente em outras ocasiões. É que durante o festival, lá são instalados palcos, parques para crianças, feiras de artesanato e outros pequenos eventos que impedem uma completa apreciação do verde e da tranquilidade do local. Para completar, fizemos nossa visita à noite e já cansados para fazer uma avaliação satisfatoriamente precisa.

Parque Ruben Van Der Linden
O Parque Pau-Pombo, como é conhecido em Garanhuns, é o equivalente à nossa Bica (embora eu não tenha visto animais, parece que lá também funciona um zoológico). Excelente pedida para quem quer caminhar, desacelerar e curtir um pouco de Natureza. Claro que nos dias do evento, em cada moitinha tem um grupo tirando fotos, mas é um dos passeios mais divertidos na minha opinião.

Castelo de João Capão
Era uma vez um encanador que encucou com a idéia de ter um reinado. Para isso, construiu para si mesmo um pequeno castelo nos moldes medievais em pleno interior de Pernambuco. A história é bacana, o tal João Capão até estava lá no dia de nossa visita... Mas, para ser honesta, não sei se foi o cansaço ou a pressa, porém o que mais me chamou a atenção lá foi esse gatinho:


Claro que a fachada e os jardins são bonitos e muito fotografáveis, mas a estrutura interna é fraca e os camelôs vendendo toucas, luvas e, claro, chocolate quente, tornavam o espaço um pouco claustrofóbico e ainda menos interessante. Para quem esperava um mini Brennand...

Infelizmente não conseguimos visitar o Mosteiro de São Francisco, o Santuário de Mãe Rainha, a Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (apelidada de Igreja do Cuscuz, por causa de sua arquitetura) nem fotografar o grande e verde Hotel Tavares Correia, onde os pais de um dos meus amigos passaram a lua-de-mel.

Na minha opinião, a cidade pode ser melhor aproveitada em termos turísticos fora do período do FIG, livre do trânsito, das barracas e da grande quantidade de gente. Por outro lado, em nenhum outro período se poderá ver de perto artistas como Rita Lee, Maria Rita, O Rappa e Jorge Ben Jor cantando em praça pública e, o melhor, de graça!

Com que terapia eu vou?

Vocês já devem ter notado que este blog anda meio que jogado às traças. E eu também já comentei em outra ocasião que acabei ficando tão exigente quanto aos assuntos e textos que vem pra cá, que perdi um pouco da graça. Mas graças à minha terapia, estou trabalhando essa questão.

Os mais chegados sabem que me interesso, em dada medida, pelas ciências do comportamento. E o que tenho visto, por experiência própria, é que a psicoterapia dá resultados, embora exija tempo, dedicação, abertura e disposição. Eu mesma cheguei a ir em cinco consultórios, de diferentes profissionais com diferentes abordagens, buscando a falada empatia, a famosa transferência, até ouvir aquele estalo quase romântico quando você encontra @ grande psicólog@ da sua vida.

Mas... se você é praticamente um pré-adolescente no quesito terapia, não sabe onde procurar nem muito menos o que vai encontrar, eis aqui algumas amadoras diretrizes. Meu único objetivo aqui é informar e desmistificar, um pouco mais, a idéia em torno de um tratamento psicoterápico.

Os profissionais da área vão me corrigir às tantas, mas, pelo pouco que pesquisei e vivenciei, a Psicologia tem três grandes linhas que agem como guarda-chuvas para as variadas abordagens: Comportamental, Psicanálise e Humanista. Como eu experimentei alguns meses de terapia com profissionais de cada uma dessas áreas, vou dar um resumo da minha vivência e daí vocês tiram o que veste melhor as suas cabeças.

Numa sessão de terapia comportamental, o foco é o que está acontecendo com você e como você está reagindo a determinada situação, pessoa ou problema. Eu recomendo para quem quer resultados mais rápidos, soluções para "tocar a vida adiante" depois de um abalo ou coisa assim. No meu caso, acontecia uma espécie de vazio porque eu não tinha uma queixa específica e toda sessão trazia um assunto novo para o psicólogo. As intervenções (leia-se: o terapeuta "se meter" e comentar algo que ele julga ser pertinente para o seu tratamento) são frequentes e a sessão mais parece uma conversa (franca, de preferência). No entanto, eu não conseguia falar tudo porque tinha receio dos juízos de valor que o profissional poderia fazer sobre mim. O fato de eu não ter um foco preciso não me deixava à vontade (pairava aquela pergunta: "Será que eu preciso mesmo disso?"). Deixei porque não pude mais bancar, mas foi melhor assim.

Já uma sessão de psicanálise (não sei qual era a linha específica da minha psicóloga, e vamos deixando claro que dentro da psicanálise há abordagens bastante distintas), há bem menos intervenções e, quando elas acontecem, servem para "cutucar" alguma coisa que você, teoricamente, quer colocar para fora, mas não consegue. O lado chato é que, algumas vezes, rola a sensação de estar diante de um chefe; o jeito de observar dos profissionais me passava a idéia de estar sendo avaliada, mesmo eles jurando que não há "certo" ou "errado". Ainda assim, um psicanalista pode ajudar você a trabalhar traumas de infância ou reconhecer padrões de pensamento que norteiam alguns comportamentos negativos automáticos da sua vida atual. Acredito ser válido e muito indicado para quem teve uma infância difícil ou para quem, basicamente, "guarda" muita coisa.

E sou suspeita para falar da linha humanista, a que mais deu certo para mim. O objetivo da sessão, segundo minha psicóloga, é criar um ambiente propício para você se sentir livre para falar o que tiver vontade, sem repressões. Me dá a sensação de que estou numa daquelas conversas profundas com uma amiga íntima, na qual, inclusive, se eu rir, ela vai rir comigo. Pela minha impressão, o foco humanista é em como você percebe sua vida, seus problemas e traumas. E é muito positivo para mim poder levar meus textos, comer um chocolate ou mexer as pernas freneticamente sem ter a sensação de estar sendo julgada pelo meu progresso ou retrocesso na terapia. Ao contrário das linhas anteriores, aqui as coisas parecem estar mais equilibradas entre as mãos do paciente e d@ psicólog@.

Por fim, por já ter passado por alguns constrangimentos com relação a esses profissionais, acabei ficando exigente em alguns aspectos. Alguns exemplos: acho importante @ psicólog@ saber o nome do paciente, pelo menos depois de algumas sessões. Também exijo saber a abordagem, o tempo da sessão e o formato básico da dinâmica (intervenções etc). Sou metódica: anoto quais aspectos desejo trabalhar e registro a evolução do tratamento. E falo, falo, falo... falo muito, porque finalmente aprendi que é meu direito passar 40 minutos semanais, basicamente, olhando para dentro.

Frivolidades: autodepilação de sobrancelhas

Fazer as sobrancelhas é, para mim, um ato relativamente novo. Passei toda a minha adolescência com uma protuberante, rala e desigual linha de pêlos acima dos olhos, até que li não lembro onde que uma sobrancelha definida destaca o olhar e é capaz de mudar a expressão do rosto, além de tirar o aspecto menininha e dar ares de mulherão. Claro que eu também queria esse milagre.

Por muito tempo fui fiel à uma excelente profissinal que fazia minhas sobrancelhas com cera quente. Apesar de algumas lágrimas involuntárias e da vontade de espirrar quando ela puxava em certas áreas, a depilação das sobrancelhas nunca foi uma experiência muito dolorosa para mim (mesmo porque, se fosse, eu deixaria crescer um jardim com rosas coloridas no meio da testa).

No entanto, apesar do precinho e da competência da minha depiladora, frequentemente eu me encontrava com as sobrancelhas na "fase monstro", ou seja, crescendo uns pelinhos aqui, outros ali, mas não o suficiente para ir lá depilar novamente. Nesses momentos, muitos de vocês pensariam na simples solução de usar a pinça em casa mesmo, mas a gênio aqui nem considerava essa hipótese, com medo de botar todo o "design" a perder.

Ah, o design! Esse era outro problema. Sempre achei super foda as sobrancelhas arqueadas a la Angelina Jolie, mas me parece que, de uns tempos pra cá (de acordo com que li em Nova - num consultório médico e a título de conhecer para criticar, naturalmente) esse tipo de desenho tem sido considerado over. Claro que para o raio e o escambau com as tendências da moda, mas tinha outro nhénhénhé: o meu desenho não arqueava naturalmente. E, por mais que eu rogasse à depiladora por um milagre, ela não acertava o ponto Angelina - embora o resultado fosse, ainda assim, agradável.

Foi então que comecei a saga do faça você mesma. Mesmo porque, não era sempre que eu tinha tempo ou disposição de gastar 40 minutos de ônibus para me deslocar de casa pro salão antes de uma festa só para ajeitar a sobrancelha. Então, me familiarizei com o instrumento pinça, comecei a remover um ou dois pelinhos solitários, e em pouco tempo já estava fazendo as sobrancelhas por mim mesma. Afinei os lados, modifiquei o desenho, saí fazendo testes e, para a infelicidade da minha depiladora, nunca mais voltei ao salão.

Mesmo assim, eu continuava sentindo falta da linha certinha que só a depilação com cera é capaz de proporcionar. E foi hoje que me aventurei, gastando 13 dinheiros em produtos para depilação facial caseira e dando início a saga.

Na primeira tentativa, fiquei meio frustrada. Na embalagem: "esquente por cerca de 25min e retire quando a cera estiver líquida". Ok, aos 15min em banho maria (conforme a atendente da loja de cosméticos me indicou) a cera estava "um pouco" líquida, mas não parecia sufiente. Resolvi, então, deixar "só mais um pouquinho". Depois de 35min, a maldita já tinha passado do ponto e estava dura. Mas, sou brasileira e tentei mesmo assim; consegui tirar um pedacinho do lado direito, mas quando fui testar do outro lado, a cera estava na consistência de uma bala soft.

Corri para a internet para ver como resolver a situação e li um depoimento de uma menina cuja amiga tinha prejudicado a pele por conta de uma cera (da mesma marca que eu comprei) justamente por ter passado do ponto. Sugestionada pela lenda urbana, abortei o processo com uma sobrancelha semi-feita de um lado e a versão Seu Saraiva do outro. Deixei, então, o potinho esfriar e tentei novamente duas horas depois. Dessa vez, esquentei em banho-maria com fogo mais alto e com mais água em baixo, e em 10min o produto estava na consistência ideal.

Munida do meu arsenal (cera, folhas para depilação, tesoura, escova de dentes velha, palitinho de remover esmalte de unhas, óleo removedor de vestígios e, claro, câmera) comecei a minha experiência sem nenhuma experiência, me sustentando apenas nas práticas anteriores com a pinça. Fiz uma melecada significativa, me atrapalhando no percurso pote-sobrancelha por causa do estica-e-puxa que parece caldo de maçã do amor da cera, mas cheguei ao final do processo em pouco tempo (devo ter levado cerca de 10 minutos) e com um resultado relativamente satisfatório.

Achei que exagerei um pouco na dosagem e deixei muito fina nas extremidades, principalmente no lado esquerdo, o que tentarei consertar nas próximas vezes. Mas, para uma marinheira de primeira viagem, estressada e inspirada apenas pelo "modo de usar" da embalagem, achei até que ficou legal.

Críticas, sugestões e opiniões... nem preciso dizer onde, não é? Comentem.

Frivolidades: Cabelos de Zélia Duncan

É claro que gosto é como joelho e cada um tem o seu, (uns sempre mais podres que outros, claro) mas eu vejo uma diferença significativa entre a época "meméia" e o corte atual da cantora. Embora o sorriso charmoso não mude por conta das madeixas, a Zélia cabelinha tem muito mais estilo!

Rapadura é doce...

Enfim, passou o primeiro domingo de maio, dia das mães. Há essa altura, todas as mulheres que pariram ou adotaram crianças estão já de saco cheio dos melodramas dos comerciais, das rosas e algumas até do paparico forçado dos filhos ou daquele novo liquidificador depois do terceiro ano pedindo um presente menos... doméstico.

Como ano passado já prestei minhas devidas homenagens, resolvi que esse ano seria um bom momento para me perguntar quais reflexões eu me faria se fosse mãe. Naturalmente, essas perguntas correspondem à minha perspectiva do que é ser um bom parent, ou seja, uma pessoa disposta a ajudar outra a evoluir e a encontrar seu próprio papel na sociedade. Embora eu não pretenda desempenhar essa função, espero que essas reflexões ajudem aqueles que desejam, ou mesmo aos que já o fazem.
  • Estou criando meus filhos para o mundo ou para mim? Permito que eles caiam para aprender a levantar? Estou superprotegendo-os ou lhes negligenciando atenção? Enxergo o desenvolvimento da sua identidade, além de sua evolução física?
  • Será que sou consciente da minha responsabilidade sobre os traumas e padrões de pensamento que estão sendo registrados neles neste momento e poderão ter sérias repercussões futuras? Será que sei que, daqui a alguns anos, eles serão adultos e, como adultos, livres das “barras da minha saia”?
  • Pratico violência com meus filhos? Manifesto minha raiva ou minha decepção através de palmadas e insultos ou de um diálogo franco? Se bato, como me sinto ao bater? Covarde, poderoso? Como me sinto ao dialogar? O que penso sobre o castigo? Desejo realmente punir ou ensinar? E como permito que eles canalizem a violência? Proíbo brinquedos e jogos violentos? Se sim, de que outra maneira eles descarregam essa energia? Se não, observo se o conteúdo exerce influência sobre o comportamento deles?
  • Forneço aos meus filhos abertura e confiança para que porventura eles venham a me contar se estiverem sendo violentados ou abusados sexualmente? Dialogo com eles? Incentivo-os a valorizar a verdade e a honestidade? Eles confiam em mim?
  • Converso com eles abertamente e esclareço suas dúvidas sobre sexo? Incentivo o ensino de educação sexual na escola, para que eles se desenvolvam integralmente sabendo como são as relações sexuais na vida real, livre tanto das fantasias excessivamente românticas quanto da pornificação da mídia; ou delego essas funções a outros? Meus filhos entendem que devem respeitar o desejo de seus parceiros? E seus próprios desejos? Entrego preservativos aos eles, independentemente de seu sexo? Explico-lhes sobre métodos contraceptivos? Estou preparada para saber se forem homossexuais?
  • Conheço os amigos dos meus filhos ou critico-os por tirá-los dos estudos e pelas horas no computador? Proíbo meus filhos de namorar? Permito que eles saiam à noite? Converso com eles sobre drogas? Sobre o prazer que dão, mas as conseqüências que exigem?
  • Confio que a educação que lhes dei os ajudará a tomar decisões mais sábias? Estou atualizada no que diz respeito ao seu universo cultural?
  • Imponho aos meus filhos a minha religião? Dou-lhes o direito de escolher no que crer ou tolho-lhes a decisão? Acredito que são imaturos ou insolentes para fazerem esse tipo de escolha?
  • Ensino-os que não há distinção de direitos entre pessoas de cor ou classe social distintas da sua? Os reprimo quando reproduzem comentários racistas ou preconceituosos? Ou rio e ridicularizo as pessoas junto com eles?
  • Promovo uma educação não sexista dentro de casa ou estipulo papéis de gênero para eles, desde a infância? Eles acreditam que homens e mulheres têm funções diferentes na sociedade? Que exemplos recebem dentro de casa? Ele se acha superior às colegas meninas? Ela se acha inferior aos colegas meninos? Como reajo se sei que sua escola promove essas diferenças, inibindo meu filho de brincar com bonecas, ou minha filha de praticar esportes?
  • Estimulo minha prole aos estudos e ao desenvolvimento do intelecto? Leio na frente deles? Para eles? Coloco livros à sua disposição? Eu acredito na evolução através do conhecimento? Desejo que isso, de fato, se estenda à minha família? Ouço músicas que considero de qualidade na frente deles? Estimulo minha filha a dançar funk? Quanto tempo deixo-os na frente da televisão? O que eles estão assistindo?
  • And last, but certainly not least: preparei-me para ser mãe ou pai? Exerço esse papel por vocação ou porque a sociedade me exigiu? Tenho abertura com meus filhos sobre a dinâmica da nossa própria família? Desejo que ele entenda que existem famílias diferentes da nossa? Reflito sobre meu papel? Ou simplesmente acredito que criar filhos é algo inato e instintivo, que qualquer um é capaz de fazer?

Untitled

Rola sempre essa insegurança no início de um texto. Há quem prefira a folha branca observando atentamente enquanto você não consegue pensar em nenhuma merda que valha a pena registrar. Os mais modernos acham o Word mais excitante, principalmente esse do Office 2007, todo reformulado, mais sutil, mais slim, combinando com o novo monitor de cristal líquido.

Eu nunca entendi exatamente o que é um cristal líquido e confesso estar num desses momentos em que se quer falar de várias coisas, mas especificamente de coisa alguma. Antigamente eu usava meus blogs como diários e agradecia a cada alma caridosa que deixava um comentário sobre a minha rotina de adolescente espirituosa. Hoje, me preocupo tanto com o tipo da porcaria que eu vou botar aqui, que acabo sem escrever nada.

Se me falta inspiração, apelo para a revisão dos posts meia-boca que deixei para trás, escritos naqueles dias em que o papel insolente nem teve tempo de tirar onda com a minha cara, pois já o havia violado várias vezes com minhas abordagens rudes – é que eu escrevo em letras grandes e em cima do colchão.

Sem muito sucesso, resolvo pesquisar nos textos de pessoas inteligentes, e me frustro: nunca vou saber escrever tão bem quanto elas. Sigo então para os textos da concorrência, para ver se tomo a dose de veneno necessária para vomitar uma crítica tosca aos cotidianos que considero medíocres. Do mesmo modo, nem sempre funciona, pois ultimamente eu tenho, em alguns momentos, achado meu próprio cotidiano medíocre; ou aprendido a agüentar tanta ignorância, intolerância e hipocrisia, na internet e, principalmente, fora dela, que meu radar crítico anda meio preguiçoso, mais com vontade de se adaptar à realidade do que exatamente lutar contra ela.

Várias vezes sinto a vontade de tirar do baú aquela máscara de cidadã brasileira feliz, que malha, procura emprego, vai ao salão, pensa no nome dos futuros filhos, faz economia, check-up de saúde, se diverte na balada, veste as roupas da moda, dama na rua, puta na cama, tão ligada na promoção de caju no supermercado quanto na taxa do dólar e nos índices da gripe suína.

Well, embora não necessariamente essas atividades me incomodem. É o encaixe nelas que incomoda.

É isso. É, definitivamente, o encaixe que incomoda.

Cinco mulheres que eu beijaria

Como toda mulher (normal), eu tenho um lado lésbica. Mas não, não esse lado exibicionista-threesome para excitar os homens. Estou falando de admiração e atração física mesmo.

E da mesma forma que há homens bonitos-de-se-ver e charmosos-de-se-comer, há mulheres que são bonitas, mas não atraem e outras que esbanjam sex appeal. E como gosto é como ânus nariz e cada um tem o seu, aqui fica a minha lista das 5 mulheres que eu beijaria, se me surgisse a oportunidade.

5) Em quinto lugar, Angelina Jolie. Apesar de ser a mulher mais bonita do mundo na minha opinião (e na de muita gente também), a dona dos lábios irresistíveis vai ter que se contentar com a última posição no meu ranking. Eu beijaria Angelina porque ela é um ser humano interessante e, claro, uma delícia. Nada nela consegue parecer feio, mesmo as mãos com veias aparentes ou as canelas finas. E plus, tem todo o contexto bissexual. Além de excitante, ela é experiente. E cara, toda tatuada! Eu não poderia escolher estar em melhores mãos, certo?

4) Madonna. É, eu também não coloquei a diva do pop em primeiro lugar, depois vocês entendem o porquê. Mas Madonna é Madonna, fala por si só. Até a mulher mais hetero do mundo beijaria Madonna. Acredito eu que seria como beijar um ícone, um conceito. Mas também não adiantaria se ela não tivesse o mojo, né? Nós vimos, e Britney provou, que a mulher tem atitude. Falta só ela descobrir meu celular...

3) Sarah Michelle Gellar. Aparentemente, ela é uma nada-demais. Mas depois de vê-la em ação em Cruel Intentions com Selma Blair e Ryan Phillipe e a cena com Spyke em Buffy, a girl can change her mind. Sexualidade pop adolescente que eu adoro.

2) Michelle Rodriguez. Escolher a maior tomboy de Hollywood para o segundo lugar talvez seja algo hetero-tendencioso, mas a rambina tem cara de quem te pega, joga na parede e chama de lagartixa, cara! E eu adoro aquele jeitão ignorante, de lutadora de boxe que bebe cerveja no gargalo, lol.

1) Kate Moennig. Eu não pude evitar! Apesar de ser meio anoréxica, a Shane de The L Word é indescritível. Quem assiste a série ou já viu alguma cena dela dando uns amassos nas outras garotas percebe que ela sabe o que faz. Ela tem a pegada e aquele jeito “alfa” abre até possibilidades de se partir de um beijo para algo mais... por essa razão, leva meu número um!

Engraçado que uma vez li, numa comunidade de fãs da Jolie, uma mulher dizendo “eu não sei se quero ter ou ser Angelina”. É interessante ressaltar que, na maioria dos casos das mulheres acima, eu também me sinto assim. Elas são tão atraentes, interessantes, excitantes, que eu me pergunto até que ponto a admiração não é inveja, afinal. E, quem sabe, beijando essas criaturas, eu não pegava um pouquinho do “mel”, né?

Ah, mas não me culpem. No final das contas, ainda sou straight. Que se há de fazer?

Guerra dos sexos e amizade

Eu tenho amigos muito tranqüilos e amigas um tanto barulhentas. Naturalmente, essas características somadas à quantidade maior de mulheres em relação aos homens, fazem com que, em nos nossos círculos sociais (salas de estar, mesas de bar, confraternizações familiares...), se escutem muito mais as vozes femininas do que as masculinas. No entanto, engana-se quem pensar que estamos discutindo exclusivamente moda, cosméticos e guerra dos sexos. Claro que esses assuntos podem vir às pautas, mas dificilmente permanecem por muito tempo. É claro também que uma ou outra vez há quem solte a pérola sexista de que “isso é coisa de mulher e homem não entende” ou vice-versa, mas que logo é contornada por discussões e argumentos de que essa segregação (assunto de homem, assunto de mulher, todo homem isso, toda mulher aquilo...) é nociva e não ajuda a quebrar o machismo, e apenas o incentiva.

Eu gosto de observar isso em reuniões estritamente femininas. Não tenho absolutamente nada contra, e acho até saudável, que existam encontros de amigas e de amigos, independente do pensamento limitador de que as mulheres só se encontram para ir ao shopping e os homens para beber ou jogar futebol. Seja qual for o programa escolhido, não acredito que encontros exclusivamente femininos ou masculinos prejudiciais, desde que não se gere uma situação doentia (ex: a esposa chega em casa na hora do pôquer e os amigos do marido acham que ela “estragou tudo”, ou o namorado que vai buscar a namorada na casa das amigas ser impedido de entrar por uns minutos porque only girls are allowed).

Mas uma coisa que não aprovo muito é o quesito “chá de panela” versus “despedida de solteiro”. O que uma coisa tem a ver com a outra? O primeiro é um evento para reunir presentes domésticos, enquanto o segundo remete a um último dia “livre” para aquele homem que está prestes a ser “amarrado”. No primeiro, brincadeiras e discursos pornográficos; no segundo, álcool, strippers e às vezes, prostitutas. A diversão da noiva é a casa, a diversão do noivo são outras mulheres.

Há também o chá de bebê, também restrito, em sua maioria, aos grupos femininos. Na minha humilde opinião, esses estereótipos são retrógrados. Que seja feito chá de panela com ambos os noivos e com participação mista, afinal de contas, os dois vão dividir a casa e utilizar a cozinha. Se houver despedida de solteiro, que valha para ambos, com os mesmos direitos e os mesmos limites (nada disso de “mulher é mais tolerante” ou “homens tem necessidades”, for godsake!) E o chá de bebê? Acaso o filho é só da mulher? Se ambos vão cuidar da criança e serão responsáveis por ela, porque limitar a participação do pai e dos outros homens que vão conviver com o futuro nascido numa comemoração desse tipo? E se for o caso do pai solteiro, que haja um chá de chupeta para ajudá-lo também.

É por essas e outras que eu penso no quão difícil é retirar o machismo inerente à nossa cultura. É preciso ousar, estar disposto a quebrar padrões e até tradições para evitar a perpetuação de idéias aparentemente inocentes, mas que podem ter sérias repercussões futuras.

É bom saber que as preferências de minhas amigas e meus amigos estão, em sua maioria, de acordo com a personalidade de cada um e não de papéis definidos de gênero. Se os meninos falam de videogame e as meninas de cinema, se eles gostam de heavy metal e elas de pop-rock, é porque se identificam com esses temas e não porque isso ou aquilo é coisa de macho ou assunto de fêmea. E o melhor de tudo, é que em meio a essa tentativa de viver em um mundo menos machista, me afino com pessoas intelectualmente excitantes e isso, sem querer parecer muito poético, é uma das coisas que fazem a vida valer a pena.

Em 2008, eu...

Alcancei algumas coisas, amadureci em alguns aspectos, pensei muito, estagnei um pouco, vi muita coisa acontecer e, com certeza, apurei meu senso crítico.

Li mais sobre feminismo, entrei na pós-graduação, conheci novas pessoas e encontrei, várias vezes, com os antigos (e raros) amigos. Tirei mais de dez mil fotos, joguei RPG online e ao vivo, arranhei cantando Black Sabbath com os amigos, tentei aprender a andar de bicicleta e dancei bolero (o que há muito não fazia) num casamento.

Noivei, comemorei e cheguei a conclusão que me encaixo muito mal em padrões. Comecei terapia com (mais um) outro profissional, vi amigos se formarem e bebi sociomoderadamente. Fiz provas de concurso, viajei para perto, comemorei duas vezes meu aniversário. Encontrei uma amiga da internet, assisti e me apaixonei por Bones, fui a shows de rock e “bati cabeça” pela primeira vez na vida. Ajudei um animal a encontrar um lar, joguei videogame, peguei alguns ônibus e muitas caronas.

Cortei três vezes o cabelo e perdi mais de 20 cm de fios no processo, sem remorsos. Pronunciei zilhões de palavras em alguns debates acalorados e em várias discussões amigáveis. Completei um ano de formada, dois livres de pessoas que me incomodavam e cinco de namoro. Escrevi muito, mas não tanto quanto gostaria. Li menos ainda do que poderia. Mergulhei no caos e no tédio repetidas vezes. Futuquei o Orkut (o meu e o dos outros), atualizei meu blog e outros meios virtuais. Vi capítulos de novelas, me entupi de massas do Spoleto e guloseimas. Ah, as guloseimas! Em 2008 conheci Mentos Ice Mint! E me acostumei às novas cicatrizes. Fui à praia no verão e fiz compras no Centro da cidade.

Como todo pessoense, conheci a Estação Ciência. Como todo brasileiro, lamentei os dramáticos casos destaques da mídia. Fofoquei, pseudo-briguei pelo Orkut e “amei muito tudo isso”. Bebi Ovomaltines, passei a frequentar um Centro Espírita e perdi de vista meus amigos bruxos. Visitei uns médicos, reapresentei monografia, participei de aulas e abdiquei de ensinar crianças. Dei presentes muito atrasados, ganhei coisas bacanas, vi mais de quinze filmes no cinema*, tive crises de ansiedade, fiz meu primeiro brigadeiro, baguncei meu quarto mais do que nunca e empurrei responsabilidades com a barriga. Vi amigos viajarem para longe, observei a dor de partir e a morosidade de permanecer, me fiz promessas que não pude cumprir, construí novos conceitos, adaptei novas idéias e passei a desejar conhecer mais o ser humano.

Em 2009, quero agir muito mais que o dobro do que agi em 2008. Mas, se conseguir pensar metade do que pensei, já considero um grande lucro.

*Dos que eu colei o ingresso na agenda, os blockbusters Hitman – Assassino 47, Eu sou a lenda, O Gangster, Cloverfield, Rambo IV, Jumper, Homem de Ferro, Os Reis da Rua, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, O Incrível Hulk, Dark Knight, Sex and the City, Arquivo X – I want to believe, Hellboy 2, Hancock e Rede de Mentiras.

O mundo é dos nojentos mais espertos

A vida é injusta? Nada, que é isso. Não dizem que “bonzinho só se fode”? Engraçado como acontece mesmo de aquelas pessoas mais “certinhas”, que fazem as coisas todas nos “conformes”, acabarem encontrando trocentas dificuldades para “seguirem” com a vida (tô cheia de aspas hoje!), enquanto os “malandros” ganham tudo de bandeja.

Certa vez aconselhei, brincando, uma amiga que gostaria de se casar, mas estava sem grana: “Diz que engravidou, ué!”. Não é assim que funciona? Há famílias de casais que namoram há uns oito anos e que ainda dizem “Mas não é cedo para vocês pensarem em casamento?”. Ora, mas se aparece um filho na jogada, se arruma igreja, padre, pastor, juiz, festa, casa, móveis e emprego para dizer para a sociedade que não houve sexo antes do matrimônio. Puritanismo? Hipocrisia? Que nada, é só para “o filho ter pai e mãe”, mesmo que se separem no 3º mês, enquanto ainda pagam as contas.

Outro bom exemplo são aqueles jovens que torram dinheiro nas baladas, pagam mais de R$ 50 na conta da bebida, gastam mais de R$ 120 num abadá de micareta para beber e gastar ainda mais, cursam faculdade particular pagando as cadeiras na base da cola, mas papai dá carro, combustível, camisinha e incentivo. Já aquele outro, tal filho exemplar: boas notas, sem álcool, sem drogas e sem prostitutas, tem dificuldade de conseguir o dinheiro da excursão para um congresso e não pode sequer dormir na casa da namorada.

Maldita seja aquela parábola sem noção do filho pródigo. As pessoas merecem um pingo de reconhecimento! Ou é só depois de preso por crime feio que se conta “bom comportamento”?